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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

EXAME PRÉ-NUPCIAL: NECESSIDADE OU SOFISTICAÇÃO?



Os tempos mudaram. Foi-se o tempo onde namorar, noivar e casar era a ordem natural de um amor, de um romance que ia brotando aos poucos, ou mesmo se iniciava com uma paixão doida, mas que aos poucos ia amadurecendo, e assim, se tornando algo sólido e sensato.

Sem sequer ser saudosista, mas apenas querendo relembrar, ou até mesmo resgatar coisas boas de um passado não muito distante, era comum os noivos procurarem seu médico de confiança, aquele amigo da família, e anunciarem:

- Estamos querendo fazer todos os exames para ver se está tudo bem, pois dentro em breve estaremos nos casando.

O bom médico esboçava um sorriso terno e cheio de felicidade, pois muitas vezes tinha sido ele mesmo quem havia feito o parto daquela jovem senhorita. Logo em seguida puxava seu receituário e começava a fazer o pedido dos exames pré-nupciais.
Enquanto escrevia o pedido, ia explicando cada um deles:

Você, minha filha, vai fazer um...

Hemograma - para saber se não está com anemia, ou mesmo, se você não tem alguma alteração hereditária (talassemia), ou mesmo alguma alteração em suas defesas e resistência, pois no dia do casamento não quero ver noiva nenhuma desmaiando no altar.

Tipos sangüíneo e Rh - a fim de ver se não existe alguma incom¬patibilidade sangüínea com o seu noivo. Apesar de hoje em dia isso não ser mais problema, pois existem vacinas e outros cuidados que permitem ao casal ter quantos filhos desejar, sem problema algum.

Glicemia - para medir a quantidade de açúcar do sangue e, caso revele um diabetes, é importante saber na ocasião da gravidez, para não alterar o desenvolvimento da criança na época da gestação.

Toxoplasmose - este é um exame importante pois, caso a mulher tenha essa doença, poderá gerar uma criança com deficiências, principalmente na área da visão.

VDRL - é um exame para verificar a possível contaminação pela sífilis, uma doença que afeta profundamente o feto, inclusive podendo gerar um bebê com fenda palatina (chamada popularmente de "goela de lobo")

Rubéola - quando adquirida durante a gravidez (até o terceiro mês), pode provocar aborto ou alteração na formação do feto. Quando a pessoa não teve ainda esta doença, faz-se uma vacina e pede-se que aguarde 3 meses para poder engravidar sem riscos.

Urina completo - a fim de verificar qualquer tipo de infecção latente, ou seja, que não esteja dando sintomas ainda, como também verificar se a “filtragem” do sangue está sendo feita de forma adequada.

Parasitológico de fezes - é importante tratar as verminoses pois elas podem ser transmitidas para as pessoas que usam os mesmos sanitários.

Ultra-sonografia pélvica - é através deste procedimento que podem ser verificadas alterações do útero (fibromas, miomas, tamanho, posição dentro da bacia, más formações, útero infantil, etc.) como também possíveis problemas nos ovários, onde o mais comum são os cistos de ovário, que podem ser minúsculos ou até mesmo chegarem a mais de um quilo.

HIV - (Teste de Elisa) que é o exame para pesquisa da AIDS. Este exame só informa se a pessoa é portadora, mas para saber se ela tem a doença é necessário que se faça outro exame: “western bloot”. Estes exames só serão feitos caso o casal decida fazê-los. Não faz parte da rotina obrigatória.

Para o jovem, alguns exames do tipo: hemograma, glicemia, tipo sangüíneo e Rh, VDRL, urina completo, fezes parasitológico, HIV são importantes, mas é bom que se faça também, um...

Espermograma - este exame vai informar a qualidade dos espermas, número, ou até mesmo se existe esterelidade, ou seja, ausência de espermas (azospermia).

Após os resultados dos exames, conversa-se com o casal a respeito das alterações laboratoriais, caso haja, ou então, é feito um aconselhamento à respeito da sexualidade no casamento, e sobre a possível “cistite” de lua de mel, que às vezes ocorre devido à maior freqüência das relações sexuais nesse período.

Falei no início que, infelizmente, os tempos mudaram. Os jovens têm colocado a carroça na frente dos bois e, com isso, têm pago o preço de inúmeros prejuízos.

Muitas vezes, uma gravidez aparece na hora errada, fora do casamento, sem planejamento, sem nenhum cuidado prévio, gerando muita ansiedade para a futura mamãe, conseqüentemente, para o bebê. Doenças que poderiam ser evitadas, acabam acometendo o nenê, como é o caso da toxoplasmose, rubéola, sífilis neo-natal (do recém-nascido), isso sem falar das situações onde a tentativa de aborto acabam não só matando o bebê, mas também a futura mamãe.

É tão mais fácil quando aprendemos a viver a vida segundo o “Manual do Fabricante”, ou seja, a Palavra de Deus. Fazer tudo no tempo certo, de forma correta, mesmo que isso seja quadrado, cafona, é melhor do que ser moderninho e depois ter que “correr atrás do prejuízo”, dependendo do caso, pelo resto da vida.

DR. WILLIAM FERES - E médico endocrinologista e homeopata. Casado com Rute, possuem 4 filhos. E membro da Comunidade Água Viva em Curitiba e dirige o Centro Médico Reviver.

EXTRAÍDO DA REVISTA “LAR CRISTÃO” – ANO X – Nº 33 – JUL-AGO/1996

FÉ DEMAIS


Alguns anos atrás, foi lançada uma comedia com este título: “fé demais não cheira bem”. O filme era uma sátira dos pregadores eletrônicos e da fé exacerbada que produz todo tipo de milagre, menos aqueles que são verdadeiros.
A teologia da prosperidade tem ensinado uma fé inconseqüente, nós cremos no poder de Deus e em seus milagres, mas também cremos na sua soberania. Deus faz milagres segundo a sua vontade.
Diz a canção: “...Se o mar não se abrir, Deus vai me fazer andar por sobre as águas!”. O milagre de Moisés e o milagre de Pedro. Tanto a incredulidade como a credulidade inconseqüente, são pecados que ofendem a Deus, tentar a Deus com nossos exageros e nossa demonstração de fé carnal, para mostrar que somos mais espiritual que nossos irmãos. Pecamos tanto como aqueles ateus que não acreditam em Deus. A fé evangélica crer no passado, nos fatos concretos das ações de Cristo. A fé religiosa geralmente crer no futuro, nos milagres e prodígios. A fé infantil precisa de ver para crer! A fé religiosa crê no que Deus vai fazer. A fé evangélica crê no que Deus já fez em Cristo Jesus.

Jasiel Botelho

PROFETISMO



Haroldo Reimer

O profetismo é um fenômeno comum nas culturas do antigo Oriente e sobretudo no antigo Israel, com manifestações em tempos posteriores. Está atestado por exemplo em textos dos arquivos do reino de Mari (atual Síria), na Mesopotâmia, no Egito, mas é nos textos bíblicos que ele tem a sua expressão mais conhecida e influente na Antiguidade. Trata-se da existência de pessoas que se sentiam, apresentavam e falavam perante a comunidade como portadoras de mensagens divinas. Tais pessoas recebem designações diferentes nas suas respectivas culturas e línguas. Em Mari, usava-se o termo muhhum e apilum; na Babilônia, o termo bâru; em Israel cunhou-se o termo nabi’ como termo genérico para tais personagens. Em português, usa-se o termo “profeta”, que deriva da tradução que a versão grega da Septuaginta atribuiu aos nomes semíticos originais: prophetes. Este termo deriva do verbo pro-phemi, significando “falar diante de”, “falar em nome de”. De uma forma geral, profetas são mediadores entre divindades e seres humanos.

A Bíblia hebraica tem uma estrutura tripartide (Torá, Profetas/Nebiim e Escritos/Ketubim), sendo que na segunda parte está incluída uma parcela do que costuma chamar-se de ‘livros históricos’. Os livros de Josué, Juízes, 1+2 Samuel e 1+2 Reis, conhecidos como a Obra Historiográfica Deuteronomista, constituem os ‘profetas anteriores’ (nebi’im aherim), enquanto que os livros de Isaías, Jeremias, Ezequiel e os doze menores (Dodekapropheton) constituem os ‘profetas posteriores’. Estes são, por sua vez, divididos em ‘profetas maiores’ e ‘profetas menores’, sendo o tamanho dos rolos constitutivo para tal designação; são também designados de ‘profetas literários’ justamente por causa dos textos agregados em torno do personagem profético que dá nome aos livros. A versão grega da Septuaginta reorganizou esta ordem canônica, inserindo e qualificando como profético o livro de Daniel, que, como expressão do gênero apocalíptico, originalmente figurava entre os Escritos. Também o livro de Lamentações e Baruc foram inseridos entre os Profetas. Na Septuaginta, este conjunto dos livros proféticos ‘clássicos’ foi alocado após os Escritos como parte canônica preparatória do anúncio da vinda do Messias, ocasionando, assim, a separação em relação aos livros de Josué a 2 Reis.

Na Antiguidade oriental, os profetas tinham formas distintas de obter suas mensagens. Por um lado existem as mensagens dedutivas ou intuitivas, obtidas através da observação, por exemplo, de entranhas de animais, vôo de aves, líquidos e dos próprios fenômenos naturais. Trata-se aí de mensagem similar à adivinhação. Por outro lado, há as mensagens indutivas, em geral obtidas em transe extático, sonhos, visões e audições. De qualquer maneira, as mensagens proféticas são formas comunicativas de uma experiência religiosa com determinada divindade (Yahveh, Baal, El, etc.). Um tipo de mensagem muito característico é o dito de mensageiro, através do qual o profeta se apresenta como porta-voz da divindade. Dentro de tais comunicações muitas vezes também estão inseridas palavras e avaliações da realidade histórica em que o profeta e a respectiva comunidade estão inseridos. O dito profético é outro tipo característico de mensagem profética. É constituído fundamentalmente de duas partes distintas: denúncia e anúncio. As denúncias, que constituem as fundamentações dos anúncios, muitas vezes, são análises da realidade histórico-social, enquanto que o anúncio é formalmente apresentado como fala da divindade. O anúncio pode ser negativo, falando-se, então, de dito de desgraça ou juízo, ou positivo, expressando-se com isso um conteúdo de graça e restauração. Os ‘ais’ também são gênero muito utilizado na profecia.

Os anúncios proféticos estão, em geral, direcionados para algum momento no futuro do povo ou da comunidade, em razão do que são entendidos como escatológicos. Não se trata, porém, de um juízo final da história, mas do anúncio de uma intervenção divina na realidade histórica, entendida como o “dia de Yahveh” (Am 5,18-20), no qual a divindade promoveria transformações substanciais na história do povo. Essa intervenção divina é entendida por alguns profetas como historicamente mediada, por exemplo através de uma potência estrangeira (Assíria ou Babilônia), afirmada como braço estendido de Deus para julgar o povo (Is 10,5; Jr 36). De uma forma geral, a opressão dos pobres, viúvas, órfãos, a violência contra os humildes e o desprezo do direito divino (mishpat) e da justiça (sedaqah) são apresentados como motivos para o anúncio do juízo divino.

Na Bíblia e especialmente nos Profetas encontramos diferentes tipos de profetas inclusive com designações distintas. Os termos ‘homem de Deus’ (ish elohim) e ‘vidente’ (ro’eh) por vezes são usados como sinônimos (1Sm 9,6.10), assim como também o termo ‘visionário’ (hozeh). Todos juntos são entendidos, sobretudo a partir do séc. VI aC como ‘profetas’ (nabi’ – Is 29,10). O termo nabi’, embora seja designação genérica dos profetas hebraicos, parece ser mais indicativo daqueles inseridos em corporações ou escolas proféticas (como Elias e Eliseu) ou ligados ao espaço do templo e da corte (p. ex. Natã). Por isso costumam ser designados como profetas ‘cúlticos’ ou ‘institucionais’. Estes parecem ter constituído a matriz mais comum do fenômeno.

É sintomático que os colecionadores das palavras dos profetas ‘clássicos’ (Amós, Isaías, Jeremias, Amós, Oséias, Miquéias, Sofonias, etc.) do período pré-exílico (séc. VIII e VII aC) não utilizam o termo nabi’ para designar os personagens que dão nome aos livros. A única exceção é constituída pelo livro de Habacuc (Hc 1,1; 3,1). Os profetas clássicos do séc. VIII e VII aC chegavam a negar explicitamente a designação de nabi’ (Am 7,14), ressaltando a sua atividade como um carisma diretamente outorgado pela divindade. Isso se percebe sobretudo nos relatos de vocação profética (Is 6,1-8; Jr 1,4-10; Am 7,10-17). Tais relatos funcionam como comunicações de credenciamento e legitimação para a atuação destes personagens carismáticos em meio à comunidade. Com isso, este tipo de profeta, que poderia sofrer represálias devido aos conteúdos de suas mensagens de crítica ao poder estabelecido (Am 7,10-17; Jr 36), estaria devidamente resguardado como mediador entre Deus e o povo. Os profetas cúlticos, por sua vez, tinham sua legitimidade assegurada pela instituição na qual estavam inseridos.

A partir do séc. VIII a.C. desenvolve-se no antigo Israel uma polêmica sobre verdadeira e falsa profecia. Trata-se basicamente de uma discussão sobre o conteúdo das mensagens. Tradicionalmente, os profetas institucionais tendiam ao anúncio de mensagens positivas de graça para o próprio povo e de juízo para os outros. Com Amós, na metade do séc. VIII aC, inicia-se uma nova tradição, na medida em que o juízo é direcionado também contra o próprio povo de Israel (Am 2,6-13; 5,18-20). Tal mudança de conteúdo acarreta um distanciamento crítico em relação ao centro de poder. Isso gerou, no fenômeno profético, dois tipos distintos de profecia no que tange ao conteúdo, havendo, porém, similaridade quanto à forma. Ambos se apresentavam como mediadores entre o Deus Yahveh (Mq 3,4-7) e o povo e é em nome da mesma divindade que acontecem as acusações mútuas. O caso mais conhecido é a disputa entre Jeremias e Hananias (Jr 28-29). Pela comunicação de mensagens distintas a partir da mesma matriz divina e através de formas similares resulta a necessidade de discernimento do seja verdadeiro ou falso por parte da comunidade. O código deuteronômico (Dt 12-26), do final do séc. VII a.C., além de proibir determinadas formas de profecia (Dt 18,10-14) e somente permitir a profecia indutiva especialmente na forma de ditos, estabelece também o critério do cumprimento temporal da mensagem anunciada. O não cumprimento histórico implicará na falsidade da mensagem e na condenação do respectivo profeta. Isso provavelmente acarretou uma insistência na afixação por escrito das mensagens proféticas (Hc 2,1-4). O caráter de verdadeira ou falsa profecia depende da aplicação de critérios a posteriori, não se aplicando ao modo e à origem do fenômeno. O mesmo texto de Dt 18 também estabelece o personagem Moisés como a representação ideal do profeta, que assume com isso também as funções de legislador, sacerdote, e hagiógrafo.

A destruição de Jerusalém em 586 a.C. e a conseqüente experiência do exílio constituiu o ‘gatilho histórico’ para desencadear um processo intenso de coleção das palavras dos profetas críticos. A partir deste momento, palavras dos profetas carismáticos pré-exílicos, guardados na tradição popular, passaram a ser avaliadas como verdadeiras a partir da nova experiência e passando a ser colecionadas rumo à formação de um cânon profético. Antes disso, porém, já havia processos mais circunscritos de coleção e fixação literária das mensagens proféticas, por vezes condensadas na forma de ‘panfletos’. Deve-se trabalhar com a hipótese de que em torno dos personagens proféticos havia grupos de suporte, responsáveis pela transmissão dos respectivos conteúdos (Jr 26,1-19). Evidencia-se, assim, uma relação da voz profética com formas de organização social da época.

Um fenômeno típico no processo de transmissão das palavras proféticas são as releituras, isto é, o fato de palavras, ditos, coleções serem reinterpretadas e até ampliadas dentro de um novo contexto histórico. Neste sentido, as palavras proféticas são marcadas por um dinamismo no processo de transmissão, o que termina com a fixação do cânon, mas continua em outro gênero de literatura interpretativa (p. ex. midraxes).

A maioria dos personagens proféticos é do sexo masculino. Nos textos dos ‘profetas anteriores’ são mencionadas algumas mulheres profetisas. Dentro dos ‘profetas anteriores’, o título profetisa (nebi’ah) é aplicado a Débora (Jz 4,4) e a Hulda (2 Rs 22,14; cf. 2 Cr 34,22), as quais marcam uma moldura dentro de toda a obra histórica. Também nas aberturas dos livros de Samuel e Reis aparecem mulheres como protagonistas, sem, contudo, receberem o título de profetisas. Entre os profetas ‘clássicos’, a mulher de Isaías é chamada de profetisa (Is 8,3) e em Ez 13,17 o termo é explicitamente omitido. No Pentateuco, Miriã é designada de profetisa em duas ocasiões (Ex 15,20; Nm 11-12). No período persa, há ainda a menção negativa da profetisa Noadia, que junto com outros profetas, protagonizava resistência aos empreendimentos de Neemias (Ne 6,7-14).

No Novo Testamento, o título profeta é aplicado várias vezes a Jesus (Mt 21,11; Lc 24,19), colocando-o explicitamente na linhagem dos profetas carismáticos e apresentando-o como o profeta ideal. Também Ágabo é designado por este título (At 11, 28). O título profetisa é atribuído a Ana (Lc 2,36) e indicado como auto-designação de Jezabel (Ap 2,20), mas é conhecido o fenômeno de mulheres com carismas proféticos (At 2,17-18; 16,16; 21,9; 1 Co 11,5). Freqüentemente, ocorre no NT o uso do termo profeta como designação genérica para os personagens do Antigo Testamento e como designação de uma das partes do cânon hebraico. O fenômeno da profecia é conhecido e reconhecido como um dom nas comunidades cristãs originárias (At 2,17-18), estando, assim, na tradição vétero-testamentária. De uma forma geral, o profetismo projeta a mensagem da universalidade da ação de Deus na história. Nos profetas, Deus é afirmado como o mantenedor da criação em ações de direito e justiça, sobretudo em favor das pessoas empobrecidas.


Referências:

BINGEMER, Maria Clara L.; YUNES, Eliana (org.). Profetas e profecias. Numa visão interdisciplinar e contemporânea. São Paulo; Rio de Janeiro: Loyola; Editora PUC, 2002.

SICRE, José Luís. A mensagem social nos profetas. São Paulo: Paulus, 1990.

SICRE, José Luís. Profetismo em Israel. O profeta, os profetas, a mensagem. Petrópolis: Vozes, 1996.

REVISTA DE INTERPRETAÇÃO BÍBLICA LATINO-AMERICANA. Petrópolis, v.35/36, 2000.

SCHWANTES, Milton. Profecia e estado. Uma proposta para a hermenêutica profética. Estudos Teológicos, São Leopoldo, v. 22, p.105-145, 1982.



O autor é teólogo luterano. Doutor em Teologia pela Kirchliche Hochschule Bethel, Alemanha, professor titular no Departamento de Filosofia e Teologia e no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião na Universidade Católica de Goiás, em Goiânia.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

MERECE CONFIANÇA O NOVO TESTAMENTO?


Já ficou sobejamente demonstrada a genuinidade dos evangelhos. Agora se nos apresenta outra questão: o texto que possuímos hoje é realmente aquele que saiu da pena dos evangelistas e apóstolos ou foi alterado no decorrer dos séculos? Houve interpolações, omissões ou corrupções no texto? Um documento pode ter sido genuíno, mas de nada adianta se as cópias que possuímos não refletem a mesma fidelidade no conteúdo como foi escrito. A acusação que alguns críticos geralmente fazem é que nossas cópias são corrompidas. Entretanto, o N.T é sem dúvida o documento mais bem atestado da antiguidade. Existem mais cópias do Novo Testamento do que de qualquer outro documento antigo. São mais de cinco mil manuscritos em grego e versões antigas em siríaco e outras línguas. Entre a redação de Sófocles, Ésquilo, Aristófanes e Tucídides e o primeiro códice que possuímos destes escritos, há um intervalo de 1400 anos; 1600 para Eurípedes e Catulo [...] 1.200 para Demóstenes; e 700 para Terêncio. As cópias mais antigas existentes hoje do N.T são dos séculos 2º e 3º d.C.
Todos esses achados tornam o N.T. o texto antigo mais bem documentado e atestado, quando comparado com outros escritos da antiguidade clássica.
Podemos confiar no Novo Testamento como um documento histórico?


Vê-se facilmente que se alguém rejeitar a autenticidade histórica do N.T, então deverá, por coerência, rejeitar a autenticidade histórica de todos os demais escritos antigos, pois o N.T. é, de longe, o mais bem atestado, tanto pelo número de cópias existentes como pela proximidade em anos da cópia mais antiga em relação ao original. Nenhum outro escrito sequer chega perto do N.T. nesses critérios.

As Variantes

Este é outro ponto ressaltado para diminuir a confiabilidade dos evangelhos. É que nos evangelhos existe um grande número de variantes. Será que com todas estas variantes não ficaria prejudicada a crença de que nossos textos modernos refletem o mesmo texto do original? Por terem sido produzidos em diferentes áreas e sob diferentes circunstancias, e devido aos erros de ortografia dos copistas, alguns manuscritos contêm diferenças entre si o que chamamos de variantes textuais. Bruce Metzger, uma das maiores autoridades em grego neotestamentário da atualidade, afirma que as diferenças não afetam substancialmente nenhuma doutrina cristã. Norman Geisler e Willian Nix acrescentam: "O Novo Testamento, então, não apenas sobreviveu em maior número de manuscritos que qualquer outro livro da antiguidade, mas sobreviveu em forma mais pura que qualquer outro grande livro - uma forma 99,5% pura"

Grasso cita o parecer de algumas autoridades como Amiot e Hort. Assim se expressou:

"No conjunto dos manuscritos encontram-se aproximadamente 250.000 variantes incluindo as citações dos padres antes do IV Século e das antigas traduções. A maioria delas é insignificante: referem-se somente à ortografia e à disposição das palavras Segundo Hort, 7/8 do texto estão fora de discussão. As variantes que modificam o texto abrange a milésima parte delê: somente umas 15 variantes têm certa importância; contudo, nenhuma delas toca a substancia do dogma estabelecido pelas passagens criticamente certas, sem termos a necessidade de lançar mão de textos duvidosos"

Prof. João Flavio Martinez
É um dos fundadores do CACP, graduado em história e professor de religiões.

A Teoria de Westcott e Hort e o Texto Grego do Novo Testamento: Um Ensaio em Manuscritologia Bíblica*


por Paulo R. B. Anglada**

Duas edições do texto grego do Novo Testamento estão sendo utilizadas por tradutores, comentaristas e pastores protestantes em geral em nossos dias: o Novum Testamentum Graece, conhecido como o texto de Nestle-Aland (seus editores), publicado pelo Deutsche Bibelstiftung, já na 27ª edição; e o The Greek New Testament, editado por uma comissão composta por renomados eruditos da área (Barbara Aland, Kurt Aland, Johannes Karavidopoulos, Carlo M. Martini, e Bruce M. Metzger), publicado pela United Bible Societies (Sociedades Bíblicas Unidas), já na sua 4ª edição.(1)
Estes textos, praticamente idênticos, são o produto de uma teoria textual desenvolvida no século passado e consolidada especialmente por dois eruditos ingleses, de Cambridge: Brooke Foss Westcott e Fenton John Anthony Hort (Westcott-Hort). Em 1881 eles publicaram o The New Testament in the Original Greek, em dois volumes, contendo o texto grego do Novo Testamento e a teoria e métodos empregados na preparação do texto.(2)
Esse texto grego, bem como os demais que nele se basearam a partir de então, passaram a rejeitar a grande maioria dos manuscritos gregos (3) — nos quais até então se baseavam as edições impressas do Novo Testamento — e a adotar alguns poucos manuscritos mais antigos, descobertos nestes últimos séculos (4), e a afastar-se cada vez mais do texto anterior.
Essa teoria revolucionou a crítica textual do Novo Testamento de tal maneira que os livros textos sobre o assunto passaram a ensiná-la, não como teoria, mas como fato consumado; e assim tem sido ensinada em seminários e conseqüentemente empregada nas novas traduções para o português, comentários, obras teológicas e pregações.
Tamanha é a influência dessa teoria sobre a matéria, e tão estabelecido o seu domínio neste século, que poucos têm ousado questioná-la. Assim, quase nada se tem escrito sobre o assunto de outro ponto de vista. No Brasil, até onde este autor tem conhecimento, nenhum livro foi escrito do ponto de vista contrário à teoria de Westcott-Hort e dos textos ecléticos que produziu.(5)
O propósito deste artigo é apresentar de forma breve uma resumo da história do texto grego impresso do Novo Testamento, expor a teoria de Westcott-Hort, e oferecer algumas críticas.(6) Estas críticas serão oferecidas a partir do que outros estudiosos têm dito sobre o assunto. Meu propósito não é tanto oferecer críticas originais, mas demonstrar que a supremacia do texto de Westcott e Hort tem sido questionada por peritos de renome no campo da crítica textual. Meu desejo é que a constatação deste fato leve o leitor a ter uma atitude mais cautelosa e analítica diante da aparentemente indisputável supremacia dos textos ecléticos.

Principais Períodos Históricos do Texto Grego Impresso do Novo Testamento
A história do texto grego impresso do Novo Testamento pode ser dividida em três períodos. O primeiro período, o período não-crítico, caracteriza-se pelo estabelecimento e padronização do texto encontrado na grande maioria dos manuscritos usados pela Igreja Antiga e Medieval. Este texto é conhecido pelos nomes de bizantino, sírio, tradicional, eclesiástico, ou majoritário. Começando com a impressão feita por Ximenes em 1514, e estendendo-se até as edições publicadas pelos irmãos Elzevir em 1678 — conhecidas pela expressão Textus Receptus — este estágio da história textual do Novo Testamento é marcado pela aceitação incondicional do texto até então usado amplamente pela Igreja, havendo pouquíssima diferença entre as diversas edições publicadas.
O segundo período, conhecido como pré-crítico, cujo início pode ser marcado com a edição de John Fell, em 1675, estende-se até antes de 1831 — quando Lachmann publica um texto que se afasta bastante do Textus Receptus. Este período caracteriza-se pelo acúmulo de evidências textuais por parte dos críticos, bem como pela elaboração de teorias que viriam a ser aceitas e desenvolvidas no período posterior, repudiando completamente o texto grego majoritário do Novo Testamento, no geral expresso nas edições do período anterior. Entretanto, o texto francamente aceito pela Igreja, nesta fase, continuou sendo o Textus Receptus, pois as evidências textuais acumuladas contrárias a ele, não chegaram a ser aplicadas ao texto (7). Nas raras ocasiões em que o foram, mesmo que em parte, tais textos foram firmemente rejeitados pelo consenso da Igreja.
O terceiro e último período, o período crítico, começando com Lachmann (1831) e se estendendo até os nossos dias, caracteriza-se por um afastamento generalizado do Texto Majoritário, e pelo aparecimento de um texto eclético, baseado em um número bastante reduzido de manuscritos, os quais, embora antigos, discordam bastante entre si, bem como da grande massa de manuscritos que apresentam o texto "bizantino". Esse tipo de texto eclético, que começou com Lachmann, e teve em Westcott e Hort os seus maiores defensores, atualmente tem se espalhado pelo mundo através, principalmente, das edições de Nestle-Aland e da United Bible Societies (UBS). Estas são, praticamente, as únicas edições do Novo Testamento grego conhecidas acessíveis, e portanto usadas, pela grande maioria dos estudantes, teólogos, exegetas e tradutores, tanto protestantes como católicos nos últimos anos. Entretanto, sempre tem havido eruditos como Burgon, Scrivener e, mais recentemente, J. Van Bruggen e W. Pickering, que continuaram a defender o Texto Majoritário, como o melhor texto original.

O Surgimento da Teoria de Westcott e Hort
O texto grego de Westcott-Hort veio a tornar-se a obra que mais tem influenciado a crítica textual moderna do Novo Testamento. Alexander Souter a considera "a maior edição já publicada".(8) Bruce Metzger, chama-a de "a mais notável edição crítica do Testamento grego já produzida pela erudição britânica".(9) Kirsopp Lake diz que "este trabalho é o fundamento de quase toda a crítica moderna’’(10) Kenyon afirma ser esta uma obra "que tem feito época, no sentido literal da palavra, na história do Criticismo do Novo Testamento, ... tem colorido tudo o que tem sido escrito sobre o assunto ... e suprido a base de todo o trabalho feito hoje neste campo".(11) Com o que concorda Greenlee, afirmando que com o trabalho desses autores nós chegamos ao "clímax deste terceiro período", e que "a influência de Westcott-Hort sobre todo o trabalho subseqüente na história do texto nunca foi igualada".(12)
Esta obra afamada foi preparada durante 28 anos. O primeiro volume contém o texto grego do Novo Testamento (sem aparato crítico, mas indicando algumas leituras variantes); o segundo, contém a Introdução, explicando os princípios textuais usados pelos editores, bem como um apêndice, com notas sobre algumas leituras selecionadas.
Contrariamente aos editores anteriores, Westcott e Hort não fizeram novas pesquisas nos manuscritos disponíveis nem prepararam um novo aparatus criticus. A fama de sua obra, portanto, não provém de suas pesquisas em testemunhas textuais, mas da teoria textual que desenvolveram, a partir do que, nestes campos, haviam elaborado eruditos conhecidos, como Bengel, Griesbach, Lachmann, Tischendorf, Tregelles e outros que os precederam.
A teoria desenvolvida por Westcott e Hort consolidou a tendência da crítica textual da época de afastar-se do Textus Receptus e, conseqüentemente, do Texto Majoritário, em direção a textos ecléticos baseados em uma minoria de manuscritos, os quais, apesar de diferirem grandemente entre si, passaram a ser considerados superiores, pela maioria dos críticos modernos.

Exposição da Teoria de Wescott-Hort
No que se segue, oferecemos uma exposição resumida dos principais pontos da teoria de Westcott-Hort, que levou ao aparecimento do novo texto grego do Novo Testamento.
Pressuposição Fundamental
Westcott-Hort partem da pressuposição fundamental de que o texto do Novo Testamento deve ser tratado como um texto ordinário, como qualquer outro livro. Nas palavras deles, os princípios de criticismo explicados nas seções seguintes são bons para todos os textos antigos preservados em uma pluralidade de documentos. No tratamento do Novo Testamento, nenhum novo princípio é necessário ou legítimo.(13)
Esta pressuposição, por sua vez, fundamenta-se em outra: de que não houve falsificação maliciosa no texto do Novo Testamento durante sua transmissão. Quando afirmam que o texto do Novo Testamento é ordinário, querem dizer, com isso, que não há evidências históricas de interpolações ou omissões deliberadas nos seus manuscritos, o que valida o emprego dos métodos críticos ordinários aplicados aos textos clássicos antigos. Eis o que afirmam:
Mesmo entre as inquestionavelmente numerosas leituras espúrias do Novo Testamento não há sinal de falsificação deliberada do texto com propósitos dogmáticos.(14)
Cremos que a ausência [no texto moderno] de fraudes perceptíveis, que deram origem a qualquer das várias leituras agora existentes, também se aplica para o texto que antecedeu mesmo as mais antigas variantes existentes...(15)

O Método das Evidências Internas
Partindo dessas pressuposições básicas, Westcott-Hort prepararam o Texto Eclético, considerando as seguintes evidências internas: a probabilidade intrínseca e a probabilidade de transcrição. Por probabilidade intrínseca, eles procuraram descobrir "o que um autor parece ter escrito".(16) O método, para se descobrir qual a variante correta (ou provável), por este princípio, é resumido por eles como segue:
O primeiro impulso ao tratar com uma variante é usualmente seguir a probabilidade intrínseca, isto é, considerar qual das duas leituras faz o melhor sentido e, de acordo com isso, decidir entre elas. A decisão pode ser feita tanto por um julgamento imediato, e portanto, intuitivo, ou pesando cautelosamente vários elementos que irão definir o que é chamado de sentido, de conformidade com a gramática e congruência com o estilo usual do autor e com o assunto em outras passagens.(17)
Por probabilidade de transcrição, eles procuram descobrir "o que os copistas parecem ter feito o autor parecer escrever".(18) No que consiste tal probabilidade?
Eles respondem:
Se uma variante aparenta dar-nos um sentido muito melhor ou sobrepujar a outra variante, essa aparente superioridade deve ter sido a causa da introdução da referida variante no texto. Disparates [textos difíceis] à parte, nenhum motivo pode ser pensado que viesse a levar um escriba a introduzir conscientemente uma leitura pior no lugar de uma leitura melhor.(19)

Regras Básicas
Com base nestes princípios, duas regras básicas foram usadas por Westcott-Hort para o estabelecimento do texto deles. Primeira: brevior lectio potior (a menor leitura deve ser preferida), assumindo que os escribas tinham mais tendência para incluir do que omitir. Segunda: proclivi lectioni praestat ardua (a leitura mais difícil deve ser preferida), assumindo que os escribas eram propensos a simplificar o texto quando confrontados com algum "disparate".

O Argumento da Conflação
Um argumento considerado importante na teoria de Westcott-Hort foi a afirmativa de que conflação é característica de mistura, e que só o texto "sírio" as apresenta, sendo portanto um texto secundário.(20) Oito exemplos de conflação do texto "sírio" (d), a partir dos textos "ocidental" (b) e "neutro" (a) são mencionados por eles.(21) Segundo eles,
As relações traçadas nunca são invertidas. Nós não conhecemos nenhum lugar onde o grupo "a" de documentos (neutro) comprove leituras aparentemente conflacionadas de leituras dos grupos "b" (ocidental) de "d" (sírio) respectivamente, ou onde o grupo "b" (ocidental) de documentos comprove leituras aparentemente conflacionadas de leituras dos grupos "a" e "d" respectivamente.(22)

O Argumento da Genealogia
Outro argumento considerado chave da teoria de Westcott-Hort para derrubar a superioridade numérica do Texto Majoritário, é baseado no conceito de genealogia dos documentos. Por meio deste argumento, eles reduziram a grande massa de manuscritos "bizantinos’’ a uma família derivada de outros manuscritos, enfraquecendo assim o peso do seu testemunho.

Inexistência de Variantes Sírias anteriores a Crisóstomo
Outra proposição de Westcott-Hort aceita por muitos foi a suposta não existência de variantes Sírias anteriores a Crisóstomo (que morreu em 407).(23) A importância atribuída a esta tese fica evidente nas seguintes palavras de Kenyon:
A proposição de Hort que foi a pedra fundamental da sua teoria, foi que leituras características do Texto Recebido nunca são encontradas em citações de escritores cristãos anteriores a cerca de 350. Antes desta data nós achamos leituras caracteristicamente neutras ou ocidentais, mas nunca sírias. Este argumento é de fato decisivo.(24)
Visto que em 1881 ainda não haviam sido descobertos os papiros,(25) Hort refere-se, é claro, apenas às citações dos Pais da Igreja anteriores a Crisóstomo.

A Recensão de Luciano
Mas como explicar a superioridade numérica e a surpreendente harmonia dos manuscritos bizantinos? Hort explicou o fato através de uma recensão, que teria sido levada a efeito por Luciano (morto em 311). As suas palavras são as seguintes:
O texto sírio deve ser de fato o resultado de uma recensão no sentido próprio da palavra, um trabalho esforçado de criticismo, executado deliberadamente por editores e não meramente por escribas.(26)
Hort sugeriu, em outras palavras, que a harmonia dos manuscritos bizantinos se devia a uma revisão e editoração críticas feita no século III dos textos disponíveis. Esta revisão, que teve o propósito de produzir um texto oficial do Novo Testamento para as Igrejas gregas, teria começado em Antioquia por volta de 250 A.D. e foi concluída por volta de 350 A.D. O principal responsável pela forma final deste texto revisado e editado teria sido, segundo Hort sugeriu, Luciano de Antioquia, um estudioso (possivelmente de convicções arianas) que morreu martirizado durante as perseguições aos cristãos movidas pelo Império Romano. Por este motivo, o Texto Majoritário é às vezes chamado de texto antioquiano, ou texto sírio (Antioquia era a capital da Síria). O texto produzido por Luciano, diz Hort, se tornou a versão oficial das Igrejas Gregas, e a base do Textus Receptus.

Opositores à Teoria de Westcott-Hort
Embora a teoria desenvolvida por Westcott e Hort tenha, como dissemos anteriormente, dominado a moderna crítica textual do Novo Testamento, nem todos a aceitaram. John W. Burgon, Edward Miller, Frederick Scrivener e George Salmon foram alguns dos importantes estudiosos do Novo Testamento, contemporâneos de Westcott e Hort, que combateram tenazmente tanto a teoria como o texto grego desses autores.
John William Burgon (1813-1888), Deão de Chichester, conhecido por sua ortodoxia e erudição inquestionáveis, foi um dos maiores defensores do que ele chamou de texto tradicional(27), em oposição ao Texto Eclético de Westcott e Hort(28). A defesa que Burgon fez do texto tradicional(29) baseava-se nos seguintes argumentos: (1) Este é o texto apoiado pela grande maioria dos manuscritos, de qualquer tipo, em qualquer época, e nas principais regiões (Ásia Menor e Grécia); (2) Este é também o texto que apresenta melhor qualidade intrínseca (harmonia, gramática, estilo, etc.); (3) Este é o texto que tem sido universalmente aceito pela Igreja.
Dentre as contribuições de Burgon para a Crítica Textual do Novo Testamento, podemos citar as pesquisas de diversos manuscritos cursivos;(30) a preparação de uma excelente coleção de citações patrísticas do Novo Testamento, nos Pais da Igreja, o Index Patristicus, com 86.489 citações, em dezesseis volumes manuscritos;(31) uma defesa erudita, muito bem elaborada, dos últimos doze versos do Evangelho de Marcos;(32) e uma crítica penetrante à Revised Version (Versão Revisada da Bíblia Inglesa), baseada no texto de Westcott e Hort.
Edward Miller ficou conhecido como colaborador e editor póstumo das obras de John Burgon. Ele organizou, completou e publicou a obra de Burgon The Traditional Text of the Holy Gospels Vindicated and Established ("O Texto Tradicional dos Santos Evangelhos Defendido e Estabelecido"),(33) e escreveu A Guide to the Textual Criticism of the New Testament ("Um Guia à Crítica Textual do Novo Testamento").(34)
Frederick Henry Ambrose Scrivener foi outro perito em crítica textual que combateu a teoria de Westcott e Hort. Professor em Cornwall, Scrivener é um nome importante na história do texto do Novo Testamento. Como defensor do Texto Majoritário publicou, a partir de 1859, diversas edições do Textus Receptus, de Stephanus, com leituras de Elzevir, Lachmann, Tischendorf e Tregelles. Em 1881, publicou o texto grego usado pelos revisores ingleses de 1611. Entre 1861 e 1894, publicou em quatro volumes o manual mais usado pelos críticos textuais ingleses, intitulado A Plain Introduction to the Criticism of the New Testament ("Uma Introdução Clara à Crítica do Novo Testamento"). Além disso, Scrivener publicou diversos códices, tais como o Augiensis (1859), Bezae (1864) e Sinaítico (1864). Entretanto, foi através das pesquisas que fez em manuscritos que deu a sua maior contribuição, pois analisou mais de setenta manuscritos do Novo Testamento.(35) Isto mostra que tanto Burgon quanto Scrivener eram eruditos dos mais capazes na pesquisa do texto do Novo Testamento, e, pelo menos por isto, suas críticas deveriam ser recebidas com mais atenção pelos críticos textuais modernos.
G. Salmon também se opôs firmemente à teoria de Westcott-Hort. Em uma obra não publicada, escrita em 1897, intitulada Some Thoughts on the Textual Criticism of the New Testament ("Reflexões sobre a Crítica do Novo Testamento") ele alerta quanto ao servilismo com o qual a teoria de Hort estava sendo aceita, e sua nomenclatura adotada, "...como se a última palavra tivesse sido dada quanto ao assunto do criticismo do Novo Testamento..."(36)

Avaliação da Teoria de Westcott-Hort
Os estudiosos mencionados acima certamente já ofereceram argumentos de peso contra alguns pontos questionáveis da teoria de Westcott-Hort. No que se segue, tentaremos resumir os que nos parecem mais importantes, usando como base a avaliação de W. Pickering.(37)

Pressuposição Fundamental
A pressuposição básica da teoria de Westcott-Hort de que o texto do Novo Testamento deve ser tratado como um texto ordinário, por não haver falsificação deliberada com propósitos dogmáticos, não corresponde às evidências históricas. Longe de se tratar de um texto ordinário, o texto bíblico é especial, no sentido em que tanto Deus como Satanás têm um especial interesse por ele - Deus em preservá-lo e Satanás em destruí-lo. Não são poucos os críticos textuais modernos que reconhecem a improcedência desta pressuposição fundamental da teoria de Westcott-Hort. H. H. Oliver, por exemplo, afirma o seguinte:
O fato de existirem alterações deliberadas e aparentemente numerosas ocorridas durante os primeiros anos da história textual é uma considerável inconveniência para a teoria de Hort por duas razões: isto introduz uma variável imprevisível que os cânones de evidência interna não podem manusear, e coloca o restabelecimento do original além da capacidade do método genealógico.(38)
As próprias evidências históricas contrariam esta pressuposição de Westcott-Hort. Os Pais da Igreja revelam, em seus escritos, a tendência, por parte dos hereges (e não somente deles), de falsificação doutrinária maliciosa do texto do Novo Testamento. O próprio Metzger reconhece que:
Irineu, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Eusébio e muitos outros pais da Igreja acusaram os heréticos de corromper as Escrituras a fim de ter suporte para seus pontos de vista especiais. Na metade do século II Marcião expurgou de suas cópias dos Evangelhos de Lucas todas as referências ao background judaico de Jesus. A Harmonia dos Evangelhos preparada por Taciano contém várias alterações que forneceram apoio a pontos de vista ascéticos.(39)
Burgon menciona que "Gaio, um Pai ortodoxo que escreveu entre 175 e 200 AD, cita Asclepíades, Theodotus, Hermophilus e Apolinides como heréticos que prepararam cópias corrompidas das Escrituras e que tinham discípulos que multiplicaram cópias de fabricação própria."(40) Uma das evidências históricas mais claras e conhecidas quanto à questão é a seguinte citação de Orígenes:
Nos dias de hoje, como é evidente, há uma grande diversidade entre os vários manuscritos, tanto devido à negligência de certos copistas, como devido à perversa audácia mostrada por alguns que corrigem o texto, como ainda devido à falta daqueles que, dizendo-se corretores, o alongaram ou diminuíram conforme lhes agradava.(41)

O Método das Evidências Internas
Quanto ao método das evidências internas empregado por Hort, é de se notar que as duas hipóteses de probabilidade (intrínseca e de transcrição) são conflitantes. Seguindo a probabilidade intrínseca, devemos escolher a leitura que mais se adapte às características do autor; enquanto que seguindo a probabilidade de transcrição, deve ser escolhida a leitura que menos se adapte ao autor, pois a leitura que mais se adapta deve ter sido a leitura secundária (introduzida pelo copista). Adotando tal método conflitante, a crítica textual deixa de ser ciência - por isso, alguns a consideram arte. Não estaríamos longe da verdade se afirmássemos que a adoção de um método contraditório deste tipo pode expor a crítica textual ao risco de tornar-se um exercício de adivinhação.
E mesmo Westcott-Hort admitem a contradição:
Onde uma leitura (a) parece intrinsecamente preferível, e sua excelência é de uma qualidade que nós podemos esperar ser reconhecida pelos escribas, enquanto que sua rival (b) não mostra característica provável para ser atrativa para eles, as probabilidades intrínseca e de transcrição estão praticamente em conflito.(42)
Autores posteriores a Westcott-Hort reconhecem a natureza conflitante do método deles. Colwell, por exemplo, conclui:
Infelizmente estes dois critérios freqüentemente entram em colisão frontal, porque escribas antigos assim como editores modernos freqüentemente preferem a leitura que melhor cabe no contexto.(43)
Se nós escolhermos a leitura que melhor explica a origem de uma outra leitura, nós estamos geralmente escolhendo a leitura que não cabe no contexto. Os dois critérios cancelam-se mutuamente.(44)

Regras Básicas

Brevior lectio potior
É conhecidíssima e amplamente aceita a regra segundo a qual a menor variante é a melhor, devido à suposta maior tendência dos escribas à inclusão do que à exclusão. Entretanto, existem alguns fatos que vêm questionar a aceitação incondicional desta regra. Primeiramente, existem estudos recentes dos escritos clássicos greco-latinos que parecem provar exatamente o contrário: que os escribas eram mais tendentes a omissões acidentais do que a interpolações intencionais.(45)
Não seria impossível admitir que o mesmo ocorre com relação aos manuscritos do Novo Testamento. Colwell, ao estudar os hábitos dos escribas dos papiros p45, p66 e p75, demonstrou que cada um deles apresenta características próprias de erros: letras (p75), sílabas (p66) ou palavras e frases (p75).(46) Mas os três são unanimemente inclinados a omitir (três vezes mais, em geral) do que a incluir.

Proclivi lectioni praestat ardua
De acordo com a outra regra básica usada por Westcott-Hort para o estabelecimento do texto do Novo Testamento, a leitura mais difícil deve ser preferida. Segundo eles, os escribas eram propensos a simplificar o texto quando confrontados com algum "disparate". Entretanto, parece-nos perfeitamente plausível inferir o oposto, ou seja: que os erros dos escribas é que, na maioria das vezes, acabavam produzindo "disparates" (variantes mais difíceis).
Já mencionamos que, segundo nos parece, pode haver alterações intencionais em manuscritos do Novo Testamento. Contudo, é difícil negar que as modificações introduzidas no texto provêm mais de lapsos não intencionais. Ora, é natural esperar que lapsos não intencionais produzam leituras difíceis e não fáceis.
Na verdade, há evidências históricas indicando que variantes mais difíceis foram produzidas até mesmo como resultado de alterações intencionais. Jerônimo, por exemplo, denuncia esta prática, dizendo que copistas "escrevem não o que encontram mas o que pensam ser o significado. E, ao tentar retificar o erro de outros, eles meramente expõem os seus próprios."(47)

O Argumento da Conflação
O argumento de que o texto "sírio" era um texto conflacionado e, portanto, secundário já foi reconhecido por alguns estudiosos como "o calcanhar de Aquiles de Hort". Razão: é uma generalização fundamentada em apenas oito exemplos.
Alguns estudos têm demonstrado que esta generalização não tem fundamento sólido. E. A. Hutton, após verificar as 821 variantes onde as assim chamadas famílias "alexandrinas", "ocidentais" e "bizantinas", discrepam umas das outras no Novo Testamento, apresenta apenas umas poucas passagens onde o texto "sírio" poderia ter sido conflacionado,(48) afora os oito exemplos citados por Hort. Ora, mesmo admitindo que todos os exemplos mencionados sejam de fato conflações (o que é discutível), ainda assim, a proporção seria de aproximadamente 100 para 1. Pouquíssimo para permitir uma generalização plausível.
E apesar de Westcott-Hort afirmarem não ocorrer o inverso, ou seja, não haver exemplos de conflação do texto "alexandrino" a partir do texto "sírio" com "ocidental" ou do texto "ocidental" a partir do "sírio" com o "alexandrino", existem diversos exemplos possíveis desse tipo de conflação no Novo Testamento. Pickering menciona cinco exemplos na página 60 do seu livro The Identity of the New Testament Text (p. 171-200) e apresenta uma lista com cerca de cem outras no apêndice.
Esses exemplos testificam contrariamente do argumento da conflação como evidência de texto secundário. Além do que, poder-se-ia ainda indagar: se possíveis exemplos de conflação indicam "família textual" secundária, quais seriam as famílias textuais primárias?

O Argumento da Genealogia
Não há nada de errado com o argumento da genealogia, desde que ele fosse de fato aplicado. Ou seja, se de fato fosse possível descobrir a árvore genealógica dos manuscritos do Novo Testamento, o propósito da manuscritologia bíblica estaria próximo do fim. Se realmente fosse possível determinar com precisão o parentesco dos mais de cinco mil manuscritos do Novo Testamento, seria fácil determinar o texto original.
Contudo, creio que nem Westcott-Hort, nem outros peritos em crítica textual, até o momento conseguiram levar a cabo tal empreendimento.(49) Sintomático disto é o fato que, sempre que o assunto é tratado, manuscritos imaginários (x, y, z, por exemplo) são empregados para ilustrar o argumento, pois ninguém realmente sabe o parentesco que os manuscritos apresentam entre si. Com exceção de uns poucos casos, que não ajudam praticamente em nada diante do volume dos manuscritos existentes, não tem sentido falar-se de genealogia, enquanto ela não for de fato identificada.
Além disso, a mistura das árvores genealógicas constitui-se uma barreira quase que intransponível para o argumento. Como determinar o parentesco de mais de cinco mil manuscritos que misturam suas genealogias?
Westcott-Hort não conseguiram (obviamente) aplicar o argumento da genealogia. Portanto, a determinação das assim chamadas famílias ou tipos textuais carece de um fundamento menos tênue que esse trabalho não realizado até o momento. Fica difícil falar em famílias "alexandrina", "ocidental", "neutra" e "síria". A advertência de M. M. Parvis ilustra perfeitamente a atitude da crítica textual do Novo Testamento com relação ao assunto:
Nós temos reconstruído tipos textuais e famílias e sub-famílias e, assim fazendo, temos criado coisas que nunca antes existiram na terra ou no céu. Temos assumido que manuscritos reproduzem-se de acordo com a lei de Mendel. Mas quando descobrimos que um manuscrito em particular não se encaixa em nenhum dos nossos esquemas habilmente construídos, levantamos nossas mãos e dizemos que contém um texto misto.(50)
Parvis não está, de modo algum, sozinho na sua conclusão. Klijn, por sua vez, afirma:
Ainda se costuma dividir manuscritos em quatro bem conhecidas famílias: a alexandrina, a cesareense, a ocidental e a bizantina. Esta divisão clássica não pode mais ser mantida (...) Se há de acontecer qualquer progresso no criticismo textual temos que nos desvencilhar da divisão em textos locais. Novos manuscritos não devem ser atribuídos a um área geográfica limitada, mas ao seu lugar na história do texto.(51)
Não seria difícil multiplicar citações de eruditos demonstrando que as assim chamadas famílias ou tipos textuais são arranjos artificiais que não expressam a verdade dos fatos. Kenyon, Zuntz, Colwell, Von Soden, Lake, Nestle, Metzger, Clark e outros questionam ou até mesmo negam claramente a validade de algumas famílias específicas, ou mesmo da classificação em geral. Apenas um exemplo específico para ilustrar o que temos afirmado: os códices ) e B, considerados como os principais representantes do texto "alexandrino" ("neutro" de Westcott-Hort), diferem mais de três mil vezes entre si somente nos evangelhos, sem contar erros menores de ortografia.

Inexistência de Variantes Sírias Anteriores a Crisóstomo
A tese da inexistência de variantes "sírias" anteriores a Crisóstomo, mantida por Westcott-Hort, depara-se com algumas dificuldades trazidas por certas evidências históricas.
A maior delas diz respeito à versão siríaca Peshita. Até então, a Peshita era considerada a mais velha das versões siríacas, e anterior a Crisóstomo. Ela constituía-se assim em uma forte testemunha do Texto Majoritário, visto que nela encontramos leituras características do Texto Majoritário. O embaraço que a Peshita representava para a tese da inexistência de variantes "sírias" anteriores a Crisóstomo foi contornada da seguinte maneira: ela passou a ser considerada uma revisão da Velha Siríaca, feita por Rábula, Bispo de Edessa, em cerca de 425, conforme tese de Burkitt.(52) Esta tese foi imediatamente aceita e amplamente propagada.
Entretanto, nem todos os peritos da área se deixaram convencer tão facilmente. Burgon observa que não há evidência histórica para tal afirmativa.(53) É interessante observar que o próprio Westcott, em seu livro On the Canon of the New Testament, parece se contradizer quanto ao assunto, ao afirmar que não via
...razão para abandonar a opinião que tem obtido sanção dos mais competentes eruditos, de que a formação da Peshita Siríaca deveria ser fixada dentro da primeira metade do segundo século. A própria obscuridade que paira sobre sua origem é prova da sua venerável idade, porque mostra que cresceu espontaneamente entre as congregações cristãs ... Fosse ela uma obra de data posterior, do terceiro ou quarto século, dificilmente seria possível que sua história fosse tão incerta quanto é.(54)
E o que dizer dos pais da igreja? Estudos posteriores sobre este período têm sugerido que a tese de Westcott-Hort quanto às variantes "sírias" carece de uma melhor fundamentação nas evidências. Os estudos publicados por Edward Miller, editor póstumo de John Burgon, revelam que o assim chamado texto "sírio" é tão ou até mesmo mais atestado pelos pais da igreja desse período do que os assim chamados textos "ocidental" e "neutro".
Segundo estes estudos, Orígenes apoia o texto "sírio" 460 vezes, e o texto "ocidental" ou "neutro" 491. Irineu apoia o texto "sírio" 41 vezes, e o texto "ocidental" ou "neutro" 63 vezes. Já Justino apoia os dois textos praticamente o mesmo número de vezes. Enquanto que Hippolytus e Methodius apoiam mais o texto "sírio" do que os texto "ocidental" e "neutro".(55)
Em resumo, após consultar todos os pais da igreja mortos até o ano 400, Miller verificou que o texto tradicional é apoiado em uma proporção de 3 para 2 em relação aos textos "ocidental" ou "neutro".(56) Ou seja, 2.630 a favor de variantes do texto tradicional contra 1.753 a favor de outras variantes. Considerando apenas os pais da igreja mais antigos (de Clemente de Roma a Irineu e Hippolytus), a proporção a favor do texto tradicional é ainda maior: 151 contra 84 (isto é, 1,8 para 1).(57)
Ainda que estes números não estejam corretos ou que algumas ou até muitas das variantes consideradas por Miller como tradicionais não sejam leituras "sírias" puras, como Kenyon alega (58); ainda assim, o que sobrar — não pouco — será suficiente para tornar praticamente improvável a proposição de Westcott-Hort de que não existem variantes "sírias" anteriores a Crisóstomo.

A Recensão de Luciano
A explicação fornecida pela teoria de Westcott-Hort para a surpreendente superioridade numérica e harmonia dos manuscritos "sírios", é o que tem sido chamado de "a recensão de Luciano". É no mínimo intrigante que um acontecimento tão importante quanto esta hipotética recensão não tenha sido registrada, mencionada ou aludida em nenhum dos documentos históricos de que dispomos. A História não registra absolutamente nada sobre ela.
Por isso mesmo, boa parte dos eruditos — mesmo entre os que defendem o Texto Eclético, tais como Colwell, F. C. Grant, e Jacob Geerlings — já não apoiam essa teoria, mas consideram que a história do texto "sírio’’, assim como a dos demais, remonta ao segundo século ou mesmo aos autógrafos.(59)

CONCLUSÃO
Esta exposição e avaliação da teoria de Westcott-Hort é resumida, mas cremos ser suficiente para dar uma idéia dos seus pontos vulneráveis. O fato é que quase todos os pontos em que ela se baseia podem ser, e têm sido, questionados com argumentos e evidências bastante plausíveis por eruditos de renome na área. Evidentemente existem também eruditos de renome que defendem os textos ecléticos. Não se trata de combater idéias com base na autoridade de celebridades. O que espero ter ficado claro é que os textos ecléticos não têm aceitação universal da parte dos estudiosos. E que mesmo sendo em número inferior, os que questionam a sua superioridade em nada são inferiores em preparo e erudição. E seus argumentos nos parecem, na maior parte das vezes, bastante plausíveis.

* Publicado anteriormente na revista Fides Reformata 1:2 (1996).
** O autor é ministro presbiteriano, professor de Grego e Hermenêutica no Seminário Teológico Batista Equatorial e presidente da Associação Reformada Palavra da Verdade, na cidade de Belém. É mestre em Teologia pela Potchefstroom University for Christian Higher Education (África do Sul) e doutorando em Ministério no Westminster Theological Seminary, na Califórnia.
1 Este é o texto grego utilizado por versões em português, como a popular Almeida Revista e Atualizada (já na 2a. edição) e a Nova Versão Internacional. Todas as paráfrases (como a Bíblia na Linguagem de Hoje) também usam este texto.
2 B. F. Westcott & F. J. A. Hort, The New Testament in the Original Greek. Introduction and Appendix (New York: Harper & Brothers, 1882).
3 Cerca de 90% dos manuscritos - representado nas edições críticas modernas pelos símbolos "M" (gótico) = majoritário (Nestle-Aland) ou Byz = bizantino (UBS). Embora os manuscritos mais antigos que contêm o Texto Majoritário não antecedam o século IV (a maioria é dos séculos VI a IX) o texto que refletem era considerado como bem mais antigo, datando mesmo dos primeiros séculos da era cristã.
4 Especialmente os maiúsculos ) (códice Sinaítico) e B (códice Vaticano).
5 O termo "eclético" refere-se ao fato de que o texto de Westcott-Hort é o resultado de várias escolhas feitas entre variantes disponíveis, seguindo critérios de evidências internas (como a leitura que melhor se encaixa no contexto, e a leitura que melhor explica o surgimento de outras variantes), sem maiores considerações para com evidências externas, tais como a história da transmissão do texto.
6 Uma exposição e avaliação bem mais elaborada pode ser encontrada em Wilbur Pickering, The Identity of the New Testament Text (Nashville: Thomas Nelson Publishers, 1980), no qual a presente exposição e avaliação em grande parte se baseiam.
7 F. G. Kenyon, Handbook to the Textual Criticism of the New Testament, 2ª ed. (Grand Rapids: William B. Eerdmans, 1951) 273.
8 Alexander Souter, The Text and Canon of the New Testament (London: Duckworth, 1913) 103.
9 Bruce Metzger, The Text of the New Testament: Its Transmission, Corruption, and Restoration (New York e Oxford: Oxford University Press, 1968) 129.
10 Kirsopp Lake, The Text of the New Testament. 6ª ed. rev. (Londres: Revington, 1928) 61.
11 Kenyon, Handbook to the Textual Criticism, 294.
12 J. H. Greenlee, Introduction to New Testament Textual Criticism (Grand Rapids: Eerdmans, 1964) 77.
13 Westcott & Hort, The New Testament in the Original Greek, 73.
14 Ibid., 282.
15 Ibid., 283.
16 Ibid., 20.
17 Ibid.
18 Ibid.
19 Ibid., 22.
20 Ibid., 49,106. Por conflação entende-se a combinação ou mistura proposital de duas variantes divergentes produzindo uma terceira leitura onde as divergências são suavizadas.
21 Mc 6.33; 8.26; 9.38; 9.49; Lc 9.10; 11.54: 12.18 e 24.53 (Ibid., 95-104).
22 Ibid., 106
23 Ibid., 91.
24 Em Recent Developments in the Textual Criticism of the Greek Bible (citado por Pickering, The Identity of the New Testament Text, 36).
25 Refiro-me principalmente aos papiros Chester Beatty (p45, p46 e p47), e ao papiro Bodmer (p66), descobertos no início da década de 1930, contendo variantes sírias.
26 Westcott-Hort, The New Testament in the Original Greek, 133.
27 Burgon chama de texto tradicional o que estamos chamando de Texto Majoritário: o texto evidenciado na grande maioria dos manuscritos.
28 O texto de Westcott e Hort era baseado principalmente nos códices ), B e D. Burgon considera estes manuscritos como "três das cópias mais escandalosamente corrompidas existentes (...) exibindo os textos mais vergonhosamente mutilados que podem ser encontrados (...) depositário do maior número de leituras fabricadas, erros antigos e perversões intencionais da Verdade’’ (The Revision Revised, 16).
29 Burgon preparou um texto revisado, onde exibiu a forma quase final do texto tradicional, corrigindo os defeitos encontrados no Textus Receptus de Stephanus e dos irmãos Elzevir (Kenyon, Handbook to the Textual Criticism, 307).
30 G. R. Gregory, Canon and Text of the New Testament (Edinburgh: T & T Clark, 1907) 462.
31 Esta coleção encontra-se no Museu Britânico (Souter, The Text and Canon of the New Testament, 102).
32 O título dessa obra, primeiramente publicada em 1871, foi The Last Twelve Verses of the Gospel according to St. Mark Vindicated Against Recent Objectors and Established ("Os Doze Últimos Versos do Evangelho segundo Marcos, Defendidos contra Objeções Recentes, e Estabelecidos").
33 Publicada em 1896, em Londres, por George Bell and Sons.
34 Publicado em 1886 pela mesma editora.
35 Gregory, Canon and Text of the New Testament, 462.
36 George Salmon, Some Thoughts on the Textual Criticism of the New Testament; obra não publicada (Londres, 1897) 33.
37The Identity of the New Testament Text, 41-97. É principalmente no capítulo 4 desta obra que baseamos essa avaliação.
38 H. H. Oliver, Present Trends in the Textual Criticism of the New Testament, in Journal of Bible and Religion, 30 (1962) 311-312.
39 Metzger, The Text of the New Testament, 201.
40 Citado por Pickering, The Identity of the New Testament Text, 42.
41 Em Matth. tom. XV, 14; Patrística Grega, XIII, 1293. K. Clark cita exemplos específicos de alterações deliberadas no texto com propósitos doutrinários por parte de Marcião (em Lc 10.21; 18.19; Gl 1.1 Rm 1.16), Orígenes (Jo 2.15), Taciano (Mc 1.41; Mt 17.26), e pelo autor do Evangelho de Tomé (Lc 14.26; Mt 13.44). Cf. K. W. Clark "The Theological Relevance of Textual Variation in Current Criticism of the Greek New Testament’’ em Journal of Biblical Literature, 85 (1966) 1-16.
42 Westcott-Hort, The New Testament in the Original Greek, 29.
43 Em The Greek New Testament (citado por Pickering, The Identity of the New Testament Text, 78).
44 Em External Evidence (citado por Pickering, The Identity of the New Testament Text, 79).
45 Esta é a conclusão de C. Clark, professor de latim na Universidade de Oxford, em The Descent of Manuscripts.
46 Em Scribal Habits, 376-387
47 Metzger, The Text of the New Testament, 195.
48 Tais como Mt 27.41, Jo 18.40, At 20.28 e Rm 6.12. Cf. sua obra An Atlas of Textual Criticism, citado por Pickering, The Identity of the New Testament Text, 59.
49 Eis apenas alguns nomes de eruditos da área os quais confirmam que Hort nunca aplicou a genealogia, ou que o método é impossível de ser aplicado diante das dificuldades: Parvis, Colwell, Zuntz, Vaganay, Aland.
50 M. M. Parvis, "New Testament Text" em The Interpreter’s Dictionary of the Bible, vol. 4 (Nashville: Abington Press, 1952) 594-614.
51 A. F. J. Klijn, "The Value of the Versions for the Textual Criticism of the New Testament" em The Bible Translator 8 (1957) 127-130.
52 H. C. Thiessen, Introduction to the New Testament (Grand Rapids. Michigan: Eerdmans, 1955) 54-55.
53 Em The Revision Revised (citado por Pickering, The Identity of the New Testament Text, 96).
54 Citado por W. MacLean, The Providential Preservation of the Greek of the New Testament (Westminster Standard, 1977) 20.
55 Cf. Pickering, The Identity of the New Testament Text, 64-65.
56 Burgon, The Traditional Text, ix,x.
57 Kenyon, Handbook to the Textual Criticism, 322-323.
58 Ibid., 323.
59 Pickering, The Identity of the New Testament Text, 94.

O Textus Receptus - Seus Defensores e Opositores


Recebe o nome de "Textus Receptus" o texto grego que dominou, no campo do estudo do Novo Testamento por mais de 300 anos. Este texto é também conhecido pelos nomes de Texto Recebido ou Texto Grego Vulgarizado.
Como foi visto no capítulo anterior, no início do século XVI dois grandes eruditos – o Cardeal Ximenes e Erasmo – lançaram-se à ingente tarefa de publicar o Novo Testamento em grego, procurando unificar os vários textos gregos existentes.
Para a boa compreensão da história do "Textus Receptus" é preciso partir do famoso editor francês Roberto Estéfano (1503-1559), que publicou quatro edições do texto grego. Sua terceira edição (1549) é o primeiro texto onde aparece um aparato crítico. Foi esta edição que se tornou o modelo para a King James Version de 1611 e até o século XIX foi o paradigma de todos os textos gregos publicados. A sua quarta edição (1551) não pode ser olvidada na história do texto bíblico, porque pela primeira vez aparece a divisão em versos numerados.
Embora a expressão "Textus Receptus" se refira à terceira edição de Estéfano, esta não foi usada por ele.
Outro nome intimamente ligado com o "Textus Receptus" é o de Teodoro Beza (1519-1605), que entre 1565 e 1604 publicou nove textos bíblicos. O texto de Beza pouco difere da quarta edição de Estéfano. A importância do seu trabalho consiste no seguinte: suas edições visavam popularizar o "Textus Receptus". Os tradutores de King James fizeram largo uso das edições de Beza.
Em 1624, os irmãos Elzevirs, impressores alemães, lançaram uma edição do Novo Testamento Grego, em cujo texto predominava o de Estéfano, mas havia também um pouco do texto de Beza. No prefácio da segunda edição se encontravam as seguintes palavras: "No texto que é agora recebido por todos, não apresentamos nada mudado ou alterado." A expressão "Textus Receptus" nasceu desta mesma frase em latim: "Textum ergo habes, nunc ab omnibus receptum: in quo nihil immutatum aut corruptum damus." Os autores desta simples frase jamais sonhariam que ela fosse o início de uma grande contenda na história do texto bíblico.

Edições Posteriores ao "Textus Receptus" – Edições Críticas
O próximo estágio na história da Crítica Textual do Novo Testamento é caracterizado por assíduos esforços para reunir manuscritos gregos, versões e citações patrísticas, que diferissem do "Textus Receptus". Por quase dois séculos, eruditos rebuscaram as bibliotecas e museus da Europa e Oriente Médio, procurando provas para o texto do Novo Testamento. Durante este período, estudiosos publicaram Novos Testamentos baseados em melhores manuscritos, Brian Walton, que publicou a grande Bíblia Poliglota (1657) baseada no exame de 16 manuscritos. John Mill, também de Oxford, trabalhou 30 anos no preparo de sua edição de 1707, baseando-se em manuscritos, versões e Pais da Igreja.
Bentley, empregando em vários lugares pessoas capazes para confrontarem manuscritos e versões, reuniu material para uma definitiva edição que suplantasse o "Textus Receptus", mas, infelizmente, por questões alheias à sua vontade, não chegou a completar sua edição do Novo Testamento.
Entre os colaboradores de Bentley estava J. J. Wettstein de Basiléia, que após quarenta anos de pesquisas publicou em Amsterdam (1751) uma edição do Novo Testamento. Sua obra tem grande valor até hoje, não apenas pelas notas marginais e os seus prolegômenos (prefácio longo a uma obra científica), mas também pelo aparato crítico, onde pela primeira vez os manuscritos unciais são indicados pelas letras maiúsculas e os manuscritos minúsculos pelos números arábicos,
Pertencem ainda a esta fase Semler (1725-1791) e Bengel (1687-1752), que individualmente publicaram uma edição do Novo Testamento Grego. Estes Novos Testamentos estavam baseados em manuscritos diferentes daqueles que foram usados para o "Textus Receptus". Contudo eles divergiram daquele texto e os apresentados por eles poucas variantes apresentavam relacionadas com o texto consagrado.

Declínio do "Textus Receptus"
O primeiro erudito a se opor frontalmente ao "Textus Receptus" foi o alemão Karl Lachmann (1793-1851).
Seu objetivo ao editar o Novo Testamento não era reproduzir o texto original, pois ele cria ser isso uma tarefa impossível, mas procurar reconstruir o texto corrente no fim do IV século. Para isso usou manuscritos unciais primitivos, versões latinas, a Vulgata de São Jerônimo e o testemunho de alguns Pais da Igreja. Após cinco anos de trabalho, publicou em Berlim (1831) uma edição do texto grego, com uma lista de passagens nas quais diferia do texto dos irmãos Elzevirs. Por esta divergência foi duramente atacado. No prefácio de sua segunda edição Lachmann atacou seus críticos por preferirem, cegamente, um texto familiar, mas inferior, a um primitivo muito mais exato.
Seu valor está em chamar a atenção dos estudiosos para a conveniência de aceitarem um texto superior e não se contentarem com aquele, tradicionalmente conhecido e aceito por todos.

Constantino Tischendorf
Ninguém conseguiu fazer mais pelo texto bíblico do que este autor. Quando estudava teologia, seu professor de grego, Winer (autor de uma famosa gramática) despertou nele um desejo profundo para pesquisar manuscritos antigos, a fim de reconstruir a mais perfeita forma do Novo Testamento Grego. Com este objetivo em mente, dedicou-se de corpo e alma a esta sublime tarefa, pois escrevendo à sua noiva ele declarou: "Resolvi dedicar-me a uma tarefa sagrada – a luta para conseguir a forma original do Novo Testamento."
Sem receio de contestação pode-se afirmar que ninguém fez mais do que Tischendorf para restaurar o texto original grego. Basta ter em mente que foi a pessoa que publicou mais manuscritos e produziu mais edições críticas da Bíblia Grega.
Entre 1941 e 1842 ele preparou oito edições do Novo Testamento Grego. A edição mais importante é a oitava, publicada em dois volumes, acompanhada por um rico Aparato Crítico, no qual Tischendorf reunia tudo sobre variantes textuais que ele ou seus predecessores tinham achado em manuscritos, versões e Pais da Igreja. Em virtude do grande esforço despendido, seu estado de saúde não lhe permitiu continuar o trabalho, por isso sua obra foi completada por seu discípulo – Gaspar Renê Gregory.
O texto de sua oitava edição, de acordo com Nestle difere da sétima em 3.572 lugares. Foi acusado de dar excessivo valor à evidência do Códice Sinaítico, que ele tinha descoberto entre o lançamento da sétima e da oitava edição.
Tischendorf deixou de lado o "Textus Receptus", não levando também em conta a classificação dos manuscritos em famílias.

Samuel Tregelles
Na Inglaterra, o intelectual mais bem sucedido em afastar-se do "Textus Receptus" foi Samuel Tregelles. Desde menino, demonstrando grande talento e curiosidade intelectual, já fazia planos para uma nova edição crítica do Novo Testamento. No intervalo de 1857 e 1872 publicou um texto grego equipado com o mais completo aparato de variantes das versões que já aparecera.
Dotado de extraordinária força de vontade, Tregelles conseguiu vencer a pobreza, a oposição e a saúde precária, apresentando notável trabalho no terreno da Crítica Textual. Sua dedicação ao trabalho era um ato de adoração, pois no prefácio de sua obra declarou "na crença total de que esta deve ser para o serviço de Deus e para ser útil à Sua Igreja."

Westcott e Hort
Estes dois intelectuais ingleses, após um dedicado trabalho de 28 anos publicaram dois volumes: O Novo Testamento no Original Grego com Introdução e Apêndice, onde os princípios críticos seguidos por ele são minuciosamente expostos.
Depois de exaustivas pesquisas na procura de manuscritos antigos, os estudiosos desejaram classificá-los em grupos, assim várias tentativas foram feitas, mas quase todas infrutíferas quanto aos seus resultados. Coube a B. F. Westcott e F. J. A. Hort, dois renomados professores da Universidade de Cambridge, a classificação dos manuscritos do Novo Testamento em quatro famílias, por eles denominadas: Siríaca, Ocidental, Alexandrina e Neutra.
Para eles a mais importante destas famílias era a neutra, por estar mais próxima dos autógrafos e por contar com os dois mais famosos códices unciais – Sinaítico e Vaticano. A preferência de Westcott e Hort por esta família é partilhada por insignes vultos da Crítica Textual, mas, estudos posteriores têm indicado que eles foram otimistas demais quanto à pureza do texto neutro. Pode-se notar ainda que o texto Alexandrino não é distinto do texto neutro, por isso, hoje, aparece como Alexandrino.

A Defesa do "Textus Receptus"
Os defensores deste discutido texto tornaram-se tão fanáticos, que não admitiam que ele fosse alterado ou melhorado. Aqueles que ousaram divergir foram tachados de irreverentes e sacrílegos.
Sendo que Westcott e Hort rejeitaram totalmente o texto tradicional, suas idéias não foram bem aceitas pelos conservadores. Em breve, intelectuais se levantaram como denodados paladinos do texto aceito por todos durante 300 anos. Dentre esses defensores destacam-se Scrivener, Edward Miller e John Burgon. O argumento principal destes estudiosos em defesa do "Textus Receptus" era este: "Se as palavras da Escritura tinham sido ditadas pela inspiração do Espírito Santo, Deus não teria permitido que elas fossem corrompidas no decurso de sua transmissão." Os argumentos apresentados em defesa do "texto recebido" não tiveram a ressonância que eles esperavam e após a morte deles esta polêmica foi para sempre encerrada.

Edições Gregas Após Westcott e Hort
A) Herman Von Soden: (1852-1913)
Graças ao apoio financeiro da Sra. Elise Koenigs, Von Soden, professor em Berlim, pôde enviar muitos estudantes que tinham sido treinados por ele para examinarem manuscritos nas bibliotecas e museus da Europa e do Oriente Médio. Ele identificou três grupos de manuscritos, designando-os pelas letras gregas K, H, I. Estas letras são inicias das seguintes palavras: K de koinê – comum, H de Hesíquio e I de Siríaco de W. H.; O H incluiria o Neutro e o Alexandrino de W. H., enquanto o I eqüivaleria ao Ocidental dos dois professores da Universidade da Universidade de Cambridge.
Discordando da classificação dos manuscritos em unciais e minúsculos e do agrupamento em famílias de W. H., idealizou nova classificação que indicasse a idade, conteúdo e tipo de cada manuscrito. Por ser um trabalho complexo, difícil de ser aceito na prática, redundou num grande desapontamento para a Crítica Textual, por isso foi totalmente posto de lado.
Como resultado de suas pesquisas e de seus muitos auxiliares, Von Soden publicou a História do Texto Bíblico em 2.203 páginas de seus prolegômenos. Este trabalho, resultado de prolongada investigação e intensivo estudo, tem sido descrito como um magnífico fracasso.

B) Bernard Weiss (1827-1918)
Enquanto professor de Exegese Grega, em Berlim, editou o Novo Testamento em três volumes. Sendo um profundo exegeta tratou com eficiência de problemas teológicos e literários do texto do Novo Testamento.
Seu trabalho se caracteriza pela valorização das evidências internas, discordando assim de Westcott e Hort, que se apoiavam em evidências externas, concordando, porém, com eles em classificar o manuscrito Vaticano como o melhor.
Weiss discorda também dos defensores da teoria genealógica na classificação dos manuscritos bíblicos.

C) Eberhard Nestle (1851-1913)
A edição do Novo Testamento Grego mais amplamente usada, foi preparada por Nestle, através da Sociedade Bíblica de Stutgart (1898). Seu texto é baseado em uma comparação dos textos editados por Tischendorf, Westcott e Hort e Weiss. A obra de Nestle representa o aperfeiçoamento do texto do fim do século XIX. Sendo notável pela síntese maravilhosa do Aparato Crítico e pela precisão da grande soma de informações textuais, sua edição tem sido muito apreciada.
Uma nova edição do Novo Testamento Grego de Nestle foi planejada, quando a Sociedade Bíblica Britânica comemorou seu sesquicentenário (1954). O texto foi preparado por Kilpatrick, com a ajuda de Erwin Nestle e Kurt Aland (Londres – 1958). Houve mudanças numas 20 passagens e diversas alterações na ortografia, acentuação e no uso de parênteses.

D) Nova Edição para os Tradutores da Bíblia.
Em 1966, após uma década de trabalho por uma Comissão Internacional, cinco Sociedades Bíblicas publicaram uma edição do Novo Testamento Grego com a finalidade de ser usada pelos tradutores da Bíblia.
As edições do Novo Testamento Grego, aqui apresentadas, são as mais importantes, mas o seu número exato desde 1514 até nossos dias é difícil de ser avaliado. Bruce, cuja autoridade em problemas de crítica textual ninguém discute, calcula que mais de mil edições já apareceram.

O CIENTISTA DE DEUS



ATRAVÉS DE LEIS DA FÍSICA E DA FILOSOFIA, PESQUISADOR POLONÊS MOSTRA QUE DEUS EXISTE E GANHA UM DOS MAIS COBIÇADOS PRÊMIOS

Como um seminarista adoles¬cente que se sente culpado quando sua mente se divi¬de, por exemplo, entre o chamamento para o prazer da car¬ne e a vocação para o prazer do espírito, o polonês Michael Keller se amargurava quando tentava responder à questão da origem do universo através de um ou de ou¬tro ramo de seu conhecimento - ou seja, sentia culpa. Ocorre, po¬rém, que Keller não é um menino, mas sim um dos mais conceitua¬dos cientistas no campo da cosmologia e, igualmente, um dos mais renomados teólogos de seu país. Entre o pragmatismo cientí¬fico e a devoção pela religião, ele decidiu fixar esses seus dois olha¬res sobre a questão da origem de todas as coisas: pôs a ciência a serviço de Deus e Deus a serviço da ciência. Desse no que desse, ele fez isso. O resultado intelectual é que ele se tomou o pioneiro na formulação de uma nova teoria que começa a ganhar corpo em toda a Europa: a "Teologia da Ciência". O resultado material é que na se¬mana passada Keller recebeu um dos maiores prêmios em dinheiro já dados em Nova York pela Fun-dação Templeton, instituição que reúne pesquisadores de todo o mundo: US$1,6 milhão.
O que é a "Teologia da Ciên¬cia"? Em poucas palavras, ela se define assim: a ciência encontrou Deus. E a isso Keller chegou, fa¬zendo-se aqui uma comparação com a medicina, valendo-se do que se chama diagnóstico por ex¬clusão: quando uma doença não preenche os requisitos para as mais diversas enfermidades já co¬nhecidas, não é por isso que ela deixa de ser uma doença. De vol¬ta agora à questão da formação do universo, há perguntas que a ciência não responde, mas o universo está aqui e nós, nele. Nesse "bura¬co negro" entra Deus. Segundo Keller, apesar dos nítidos avanços no campo da pesquisa so¬bre a existência humana, continua-se sem saber o principal: quem seria o responsável pela criação do cosmo? Com repercussão no mundo inteiro, o seu estudo e sua coragem em dizer que Deus rege a ciência naquilo que a ciência ainda tateia abrem novos campos de pesqui-sa. "Por que as leis na natureza são dessa forma? Keller incenti¬vou esse tipo de discussão", dis¬se a ISTOÉ Eduardo Rodrigues da Cruz, físico e professor de teolo¬gia da PUC de São Paulo.
Keller montou a sua metodolo¬gia a partir do chamado "Deus dos cientistas": o big bang, a grande explosão de um átomo primordial que teria originado tudo aquilo que com¬põe o universo. "Em todo processo físico há uma seqüência de estados. Um estado precedente é uma causa para outro estado que é seu efeito. E há sempre uma lei física que descreva esse proces¬so", diz ele. E, em seguida, fusti¬ga de novo o pensamento: "Mas o que existia antes desse átomo primordial?" Essas questões, sem respostas pela física, encontram um ponto final na religião - ou seja, encontram Deus. Valendo-se tam¬bém das ferramentas da física quântica (que estuda, entre outros pontos, a formação de cadeias de átomos) e inspirando-se em ques¬tões levantadas no século XVII pelo filósofo Gottfried Wilhelm Leibniz, o cosmólogo Keller mer¬gulha na metáfora desse pensa¬dor: imagine, por exemplo, um li¬vro de geometria perpetuamente reproduzido. Embora a ciência possa explicar que uma cópia do livro se originou de outra, ela não chega à existência completa, à ra¬zão de existir daquele livro ou à razão de ele ter sido escrito. Kel¬ler "apazigua" o filósofo: "A ciên¬cia nos dá o conhecimento do mundo e a religião nos dá o sig¬nificado". Com o prêmio que re¬cebeu, ele anunciou a criação de um instituto de pesquisas. E já es¬colheu o nome: Centro Copérnico, em homenagem ao filósofo polonês que, sem abrir mão da religião, provou que o Sol é o cen¬tro do sistema solar.

A CAMINHO DO CÉU
Michael Keller usou algumas ferramentas fundamentais para ganhar o tão cobiçado prêmio científico da Fundação Templeton. Tendo como base principal a Teoria da Relatividade, de Albert Einstein, ele mergulhou nos mistérios das condições cósmicas, como a ausência de gravidade que interfere nas leis da física. Como explicar a massa negra que envolve o universo e faz nossos astronautas flutuarem? Como explicar a formação de algo que está além da compreensão do homem? Jogando com essas questões, que abrem lacunas na ciência, Keller afirma a possibilidade de encontrarmos Deus nos conceitos da física quântica, onde se estuda a relação dos átomos. Dependendo do pólo de atração, um determinado átomo pode atrair outro e, assim, Deus e ciência também se atraem. "E, se a ciência tem a capacidade de atrair algo, esse algo inexoravelmente existe", diz Keller.

DEPOIMENTO DE UMA MULHER PRESBITERIANA


OS MELHORES ANOS DE MINHA VIDA
Casamento é compromisso, não somente sentimento. Vai muito além do "eu amo você "!

Antes que nos casássemos, um grupo de senhoras, da igreja de onde Billy era seminarista, decidiu me dar um "banho" de conselhos. Cada uma escreveu em um papel, um conselho conjugal e, todas os passaram às minhas mãos. Um deles, me fez sorrir e, pensar: “Quando duas pessoas concordam em tudo, uma delas é dispensável!”
E foram muitas as vezes que essa frase veio à minha mente nestes cinqüenta e três anos de casamento! Nesta época em que seis, em cada dez casamentos terminam em divórcio, digo-lhes que, um dos segredos de nosso amor duradouro, tem sido a habilidade de dis¬cordarmos em certos assuntos.
Tenho encontrado esposas que, simplesmente, não se preocupam em discordar de seus maridos. Por outro lado, também conheço outras a quem não lhes é permitido discordar! No entanto, quero colocar que discordância pode ser algo positivo SE, soubermos como e, naturalmente, quando discordar.
Em certa ocasião, discordei de Billy, que é batista, quando tentou encorajar-me a passar para sua denominação. Naquela época, morávamos com meus pais, em um centro de convenções da Igreja Presbiteriana.
Decidi que era presbiteriana e queria continuar sendo. Certo dia, Billy convidou um dos líderes batistas para jantar conosco e, imediatamente, per¬cebi o que estava por trás da¬quele convite.
Então, decidi pegar o querido irmão batista, de surpresa:
- Antes que você comece a falar, deixe-me explicar-lhe uma coisa:
- Nós moramos em um centro de convenções que pertence à
Igreja Presbiteriana, onde também existe um igreja local. A Igreja Batista mais próxima fica a quase 4 quilômetros de distância. Em caso de eu ficar doente ou, se por alguma outra razão não puder sair, meus pais podem levar as crianças com eles à igreja. Além do mais, quero que meus filhos cresçam aprendendo da pessoa e do trabalho do Senhor Jesus Cristo, e não as diferenças denominacionais. Quando estiverem suficientemente crescidos, poderão escolher por si mesmos, a qual denominação pertencer.
Aquele irmão olhou-me bon¬dosamente e, enquanto balan¬çava sua cabeça, disse:
- Minha querida, você já pa¬rou para pensar que quando eles crescerem, poderão querer con-tinuar sendo presbiterianos?!!...
Devo dizer que hoje, meus filhos pertencem a várias deno¬minações diferentes, mas todos eles são com¬prometidos com o Senhor Jesus Cristo. Quando o último deles aderiu a outra denominação, escrevi-lhe uma carta assinando - da Presbiteriana Remanescente!
Quero deixar bem claro, que não estou incen¬tivando as esposas a se oporem constantemente a seus maridos. Não é isso! Existem horas e jeitos de se discordar. Meu método é o seguinte:
1 – Certifique-se de que seja realmente necessário discordar.
2 – Defina o assunto.
3 – Controle seu tom de voz e seja gentil.
4 – Não interrompa quando ele estiver se colocando e evite comentários desagradáveis.
5 – Vá direto ao assunto; discorra os fatos com clareza e, se preciso for...
6 – Ceda graciosamente
Felizmente, temos um grande amor e confiança, um no outro e no Senhor, então, nossas discordâncias não são muitas. Além disso, nós dois, possuímos um bom senso de humor, o que nos ajuda muito!
Outro segredo, dessa longevidade matrimonial, é o compromisso. É necessário um real comprometimento com o senhorio de Cristo e um com o outro. Casamento é compro¬misso, não somente sentimento. Vai muito além do "eu amo você"!
Cinqüenta e três anos atrás, Billy e eu fizemos um compro¬misso um com o outro, perante Deus e a lei, e deter¬minamos que seríamos fieis um ao outro. Temos mantido nossa promessa, apesar de, por tantas viagens e compromissos, ficarmos bastante tempo longe um do outro.
Algumas pessoas me perguntam se fico ressentida pelo fato de Billy me deixar tanto tempo sozinha, enquanto está evangelizando ao redor do mundo. Minha resposta é não.
Deus me fez uma pessoa forte. Na idade de treze anos, meus pais me mandaram de casa, na China, para estudar na Coréia do Norte. No início, quase morri de saudades. Chorava todas as noites durante várias semanas.
Mais tarde, fui ainda para mais longe de meus pais, missionários na China, fazer faculdade nos Estados Unidos. Deus já estava me preparando para uma vida de despedidas.
As despedidas foram nossos mais difíceis desafios, mas as longas separações nos aproximaram mais ainda um do outro.
Um segredo final, de nosso duradouro amor e casamento, tem sido o fato de que nestes cinqüenta e três anos, continuo achando meu marido, não somente uma das mais interessantes pessoas do mundo, como também uma das mais gentis!
Às vezes fico pensando, caso ele morra entes de mim, o que mais sentirei falta dele? Creio que de sua visão global de enxergar as coisas. Ele tem estado em tantos países diferentes, possui uma visão geral da situação do mundo, não somente do ponto de vista político, mas em todos os outros aspectos. E, quanto a isso, não há o menor desacordo de minha parte.

RUTH BELL GRAHAM é esposa do evangelista Billy Graham. Eles farão cinqüenta e três anos de casados no dia 13 de agosto de 1996.
...........................
EXTRAÍDO DA REVISTA "LAR CRISTÃO" ANO X Nº 33 - JUL - AGO/1996

P.S - Billy Graham casou-se em 1943 com Ruth Bell que depois passou a se chamar Ruth Graham, filha de missionários presbiterianos na China, o pai dela L. Nelson Bell era cirurgião geral e destacado membro na história da antiga Presbyterian Church in the United States. Poucas pessoas tiveram mais influência em Billy Graham do que o Dr. Bell. O casal tem 5 filhos, 19 netos e 28 bisnetos. Os filhos Franklin Graham e Anne Graham Lotz também são evangelistas, e atualmente controlam os negócios do pai, parcialmente aposentado devido à idade avançada, ao mal de Parkinson e a outras doenças. Depois de anos de pregação, Graham se dedicou à doutrina do batismo infantil, que é aceito por um grande número de cristãos (mas proibido pelos Batistas Sulistas). Graham fez questão de batizar todos os seus netos e bisnetos. Em 14 de junho de 2007, faleceu em Montreat, Carolina do Norte, na casa do casal Graham, a Sra. Ruth Bell Graham.

A PAIXÃO DE CRISTO


Médicos peritos, historiadores e arqueólogos têm examinado, em detalhes, a execução que Jesus Cristo voluntariamente suportou. Todos concordam que Ele sofreu uma das formas mais cruéis e dolorosas de pena de morte jamais imaginadas pelo homem. Eis aqui um breve resumo de algumas das coisas que sabemos da historia, da arqueologia e da medicina, acerca de suas últimas horas…

UM SOFRIMENTO INTENSO, MESMO ANTES DO INÍCIO DA HUMILHAÇÃO — Jesus tinha o peso do mundo sobre seus ombros. Mesmo antes de a crucificação começar, Ele mostrava claramente sintomas físicos de um intenso sofrimento. Na noite anterior à execução, seus discípulos dizem tê-lo visto em ” agonia ” no Monte das Oliveiras. Não só ficou sem dormir toda aquela noite, mas parecia também ter suado abundantemente.. Tanto era o estado de tensão, que pequenos vasos sangüíneos em suas glândulas sudoríparas se rompiam, derramando gotas vermelhas tão grandes que caíam ao solo (veja Lucas 22:44). Este sintoma de profunda ansiedade é chamado hematoidrose.

Jesus estava fisicamente exausto e em risco de sofrer um colapso caso não recebesse líquidos (o que aparentemente não aconteceu). Este é o homem a quem os soldados Romanos torturaram.
Jesus scouraged.

TORTURADO COM OS AÇOITES ROMANOS — Tendo sido anteriormente surrado pelos judeus, chega agora a vez dos romanos. Sabe-se que os castigos corporais dos soldados romanos eram muito sangrentos, deixando ferimentos por todo o corpo. Eles desenhavam sus açoites para cortar a carne dos corpos de suas vítimas. Estes golpes deveriam ser dolorosos ao extremo, podendo ainda causar uma concentração de líquido em redor dos pulmões. Além disso, uma coroa de espinhos foi rudemente posta em sua cabeça, a qual era capaz de irritar gravemente os nervos mais importantes da sua cabeça, causando uma dor cada vez mais intensa e bastante aguda com o passar das horas.

No estado em que Cristo se encontrava, esses golpes poderiam tê-lo matado: seu corpo estava seriamente ferido, cortado e ensangüentado, estando sem comer há muitas horas e, tendo perdido muito líquido devido à transpiração e à hemorragia abundantes, Jesus estaria gravemente desidratado. Esta tortura brutal certamente lhe teria levado ao que os médicos chamam de colapso, e isso mata.

Além disso, Jesus foi obrigado a carregar uma trave de madeira sobre a qual morreria. Imagine como seria carregar algo tão pesado nessas condições.

CRUCIFICAÇÃO — Ao ser pendurado diante da multidão, a dor e o dano causado pela crucificação foi concebido para que fosse tão cruelmente intenso que alguém anelaria constantemente a morte, que poderia durar dias sem descanso algum.

Segundo o Dr. Frederick Zugibe, a perfuração do nervo médio das mãos por um cravo pode causar uma dor tão incrível que nem sequer a morfina ajudaria, uma dor intensa, ardente e horrível, como relâmpagos atravessando o braço até a medula espinhal. A ruptura do nervo plantar do pé com um cravo teria um efeito horrível e semelhante.

Ademais, a posição do corpo sobre uma cruz foi pensada para tornar a respiração algo extremamente difícil.

Frederick Farrar descreve o efeito torturador pretendido: “Pois de fato uma morte por crucificação parece incluir tudo aquilo que a dor e a morte podem ter de horrível e assustado - - vertigem, cãibras, sede, fome profunda, falta de sono, febre traumática, tétano, vergonha, zombaria diante do constrangimento da vítima, longa duração do tormento, medo do desenlace, gangrena de feridas expostas - tudo intensificado até o ponto em que pode ser suportado, mas não chegando até o ponto de dar á vítima o alívio da inconsciência.

Um médico chamou de “uma sinfonia da dor” produzida por cada movimento, com cada inspiração; mesmo uma pequena brisa na sua pele poderia causar uma dor intensa em nesse momento.

O médico examinador, Dr. Frederick Zugibe, crê que Cristo morreu de um colapso devido à perda de sangue e líquido, mais um choque traumático por seus ferimentos; além disso de uma colapso cardíaco que fez com que o coração de Cristo falhar.


James Thompson acredita que Jesus não morreu de cansaço, nem dos golpes nem ainda pelas três horas de crucificação, mas que morreu por agonia da mente, devido ao rompimento do seu coração. Sua evidência vem do que aconteceu quando o soldado romano atravessou o lado esquerdo de Cristo. A lança liberou um corrimento repentino de sangue e água (João 19: 34). Isso não apenas prova que Jesus já havia morrido quando foi traspassado, como também o que Thompson crê, que isso é uma evidência de rompimento cardíaco. O renomado fisiólogo Samuel Houghton acredita que tão somente a combinação da crucificação com a ruptura do coração poderia efetuar esse resultado.

Qualquer que fosse a causa final da morte de Cristo, no há dúvida de que foi dolorosa e indescritível.

Perto do fim, um criminoso junto a Ele caçoou dele, dizendo: “Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e a nós outros.” Pouco sabia este pecador que o homem a quem se dirigia foi crucificado ali voluntariamente. Estava falando ao nosso criador, capaz de desencadear todo o poder do universo e mais ainda, e salvar facilmente a si mesmo. Jesus permaneceu em sua agonia e vergonha, não porque era impotente, mas por seu incrível amor pela humanidade. Ele sofreu para providenciar o caminho necessário para a sua e a minha salvação.

Você pode ler sobre a morte de Cristo em Mateus, Marcos, Lucas e João - cada um desses discípulos informaram o que aconteceu, com maior ou menor detalhe, dependendo de sua ênfase particular.

fonte: Christiananswers

fontes: Frederick W. Farrar, The Life of Christ [A Vida de Cristo] (Dutton, Dovar: Cassell and Co., 1897).